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Terra Cercada

Onde estou?

Teriam os relógios quebrado?

.

Sou ansioso sereno,

Fiz promessas a fantasmas;

Sou o que já fui,

E a falta do que serei

.

Que dizem?

Seriam assistentes da foice?

.

Nada ouço senão silêncio,

Nada vejo além da cerca;

Nada há além das sombras,

Alvas e decadentes

.

Quando se esqueceram?

Creio que esqueci-me também

.

Por onde marchei,

Marquei a terra;

Se não mais marchar,

Cobrirei as marcas, com verde

-blackbird

Dos Corpos

Os corpos,

Se deixaram cair

Se deixaram parar

Se deixariam petrificar;

Eternizados, os corpos

Se põe a contemplar

A oculta janela

E por ela própria, os contemplo;

Os corpos,

Só restos de guerra

Só peças do museu

Daquilo que vivo foi;

Mas só são, corpos,

No silêncio mergulhados

No silêncio confortados

No silêncio, afogados

.

Ó corpos, se pudesse

Impedia-os de petrificar

Quebrava logo as janelas

E aos seus iria cantar, mas;

Ó corpos,

Sou um dos seus,

Petrificado a dedicar

Com meus dedos de pedra,

Ó corpos, aos nossos

Doces palavras de pesar

-blackbird

Defrontado

São olhos comprimidos

E garganta ardente de gritos

São mãos em punho

E olhos que vermes viram

São pés de marchar

Longos dedos de atirar

São os olhos de odiosos martelos

.

Mas, ah, se tivessem visto

Por quanto tempo, ha tempo atrás

O desespero, nos mesmos olhos

Que corriam a procurar

Que encaravam a suplicar

Que nada encontraram nos outros olhos

Senão vidrada resposta, vazia

.

Se tornara tristeza em forma de fogo

Se queimara a algo querer queimar

É num azulado campo murado

Olhos de melancólico rancor

Que talvez ainda queiram procurar

E tudo está refletido

Nos frios olhos de vidro

Os quais jamais consegui quebrar

-blackbird

Aos Sobreviventes

  Aos fortes suicidas, aos sólidos desolados.Aos que sangram e cicatrizam, aos que caem e não deixam de rastejar.Aos sobreviventes ainda vigorosos, que encontram refúgio em um quarto escuro, atrás de uma porta trancada.Aos senhores, escrevo-lhes essa carta,e peço que resistam.

   Aos que possuem o brilho sombrio, o guardem.Sejamos muitos, ou poucos, temos a força em nossa taciturna fraqueza.Não deixemos que a alienação nos seduza, não troquemos nossa heróica cólica pela alegria derrotada.Assim menterei minha sina, e peço-lhes que mantenham as suas.Não se deixem extinguir.

  Aos que viram a chegada dos enfermeiros, temam.Não sentem na cadeira, não abram suas bocas às drogas, não se rendam.Quando tentarem nos encriminar, esconderemos as provas de nossa ressaca.Usaremos as mascaras com bravura.Quando nos chegarem com suas agulhas letais, correremos com o demônio.Não há piedade nos vestidos de branco, mas há doída valentia nos nossos que escaparem com um sorriso.

  Aos que tiveram que lutar, força.Não deixem que as paredes pálidas lhes tomem a coragem.Se presos virarmos, não deixaremos de nos debater de dentro de nossas camisas de força.Cantaremos alto o hino do inferno.Se preso já está, lhe mando meu apoio nessa carta.

  Aos que leem, peço-lhes que entendam.Peço-lhes que contemplem a nobreza de nossa luta.E, por fim, aconselho-lhes que valorizem suas dores, pois são tudo que  têm.

      Força, coragem e resistência, blackbird

A Dama Submersa

Uma anêmica silhueta

De empoeirados pulmões

E quebradiças veias,secas

.

A drenada dama transparece

Na hospitalar alvura

Em frente a um pagão santuário

Na porcelana branca moldado

.

Submergem os restos humanos

Que fique a Tétis levar a expressão

E lavar os pensamentos

.

Com seu corpo dança um demônio

Em uma contorcida luta

Um final desespero

Percorrendo cortante a garganta

.

Foi desfeito em ar

Queimado pelas águas

Afogado em agonia

.

A dama das águas esteriliza a amargura

Dissolve a torta face

Abafa o ardente grito

No cardíaco sacrifício à deusa

.

Degelados são os negros olhos

E revelada a trêmula reflexão

De uma contemporânea conhecida de Hades

Cabeça Desumana


Largado ao chão,enraizado

Um pedaço humano,despedaçado

Cercado das moscas,inútil espaço

Seu existir jamais provado

.

Apodrece ou cresce?

Vive ou morre?

A cabeça humana

Enterrada na terra

.

Seu cavado o chão

Que seria encontrado:

Buraco de vermes

Ou coração amargurado?

-blackbird

Se tudo é só

E só estou

Somente sou

Mas só não vou

.

Se nada há

E há só penas

Há penas sós

E sou apenas,só

.

Mas vou,se tu somente

Até se por um só instante

Me aparece,exuberante

.

Venha,desfaz-me o só

E exibe tuas penas

Quero-te exageros,e dilemas

-blackbird

Katie’s Revenge

(meth,murder,hammurabi)


Don’t get so close,

Go back inside;

Who needs a dose,

Of methamphetamine

.

I guess a little something,

Got taken away;

Try and find it by a creek,

In a little white day

.

But oh,it all comes back,watch

As I force it through your flesh;

You can call it Hammurabi fate,

This is the day for Katie’s Revenge

.

Katie’s Revenge comes through a needle,

through your skin;

You can try to hide your skull,

But I’ll be forever in

.

It’s coming for you,

And you can’t run away;

Don’t leave anything behind,

Beware of Katie’s Revenge

-blackbird

Vapor Cantado

Os dedos de folha gracejam,

Levando aos lábios o raio de sol,

E suspira-se ao vento

.

Os dedos de pena gracejam,

Percorrem a face de nuvens,

E suspira-se ao vento

.

O vento graceja de volta,

Devolvendo em forma de canto,

Dançando com as mãos prateadas

-blackbird

the wall sheds red tears
her eyes say nothing instead
tomorrow I better wake up
or I better be dead

-bluebird